Nos últimos 4
meses, 98,5% dos casos se concentraram na Bahia e Amapá.
Desde setembro, início da infecção no país, já são 4.987 ocorrências.
O Brasil registrou entre janeiro e abril de 2015
quase 2 mil casos confirmados de infecção pelo vírus chikungunya, que circula
no país desde setembro de 2014 e é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti,
mesmo vetor da dengue, doença que já registrou 745,9 mil
ocorrências apenas neste ano. A infecção pelo vírus chikungunya
provoca sintomas parecidos com os da dengue, porém causa mais dor e tem menor
índice de mortalidade.
Para o pesquisador Ricardo Lourenço, da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos devem aumentar no Brasil porque a população
ainda não desenvolveu anticorpos para combater naturalmente o vírus (leia mais
abaixo).
Bahia é o estado com mais doentes
A infecção pelo vírus chikungunya provoca sintomas parecidos com os da dengue,
porém mais dolorosos. No idioma africano makonde, o nome chikungunya significa
"aqueles que se dobram", em referência à postura que os pacientes
adotam diante das penosas dores articulares que a doença causa. Seu índice de
mortalidade, no entanto, é bastante baixo (veja quadro abaixo com as
características da chikungunya).
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Lívia afirma que desde janeiro sente sintomas da
chikungunya (Foto: Arquivo pessoal)
A baiana Lívia de Oliveira, moradora do município
de Riachão do Jacuípe, a cerca de 180 quilômetros de Salvador (BA), disse que
ficou 45 dias em casa, sem conseguir ir trabalhar, de tanta dor que sentia.
"Parecia que estava toda quebrada. Não
conseguia levantar", afirmou.
A Bahia é o estado com mais casos confirmados da
doença. Desde setembro já são 2.487 registros, 1.054 apenas neste ano (leia reportagem).
A jornalista Girlane Duarte acompanhada do filho
Artur, de oito anos (Foto: Arquivo Pessoal)
'Terrível experiência'
O Amapá vem em seguida, com 2.327 infectados por chikungunya desde setembro
passado, 895 apenas neste ano Deste total, 880 são autóctones, 12 importados e
três ainda não tiveram sua origem determinada.
A jornalista Girlane Duarte, moradora de Oiapoque, distante
590 quilômetros de Macapá, e seu filho de 8 anos entraram para a estatística de
doentes no estado.
Ela disse que sentiu os primeiros sintomas em
outubro de 2014, mas seis meses depois de ter contraído a febre, ainda sente
dores nas articulações dos punhos, que a impedem de realizar atividades do
trabalho e em casa. "Foi uma terrível experiência na minha vida",
afirmou (leia a reportagem).
'Veio para ficar', diz especialista
Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço, da Fiocruz, é provável que os casos da
doença aumentem no Brasil já que a população ainda não tem anticorpos para o
vírus.
“Tem uma quantidade imensa de pessoas que podem contrair. O Brasil era o único
país das Américas a não ter casos autóctones da doença, mas aí o vírus chegou
para ficar, infelizmente”, explicou Lourenço ao G1.
Ele explica que a porta de entrada da doença no
país foi o Amapá, onde as pessoas contraíram o vírus vindo da Guiana
Francesa.
Ele afirma que há dois genótipos do circulando no
país: o africano, detectado principalmente no Norte, e o asiático, presente nas
ocorrências notificadas na Bahia, por exemplo.
“Apesar das linhagens, só se pega uma vez o vírus,
diferente da dengue, por exemplo, que tem quatro sorotipos distintos”, afirma.
O especialista alerta ainda para o risco de uma
pessoa contrair dengue e chikungunya ao mesmo tempo. Há casos confirmados na
África e em regiões do Oceano Pacífico de pessoas que ficaram com as duas
infecções ao mesmo tempo.
Combate
Lourenço explica ainda que o vírus pode ser transmitido também pelo mosquito
Aedes albopictus, que vive em ambientes fora de zonas urbanas, principalmente
em regiões desmatadas. Para ele, é preciso intensificar o combate a esta
espécie.
De acordo com o governo federal, entre as ações
para reduzir a quantidade de casos no país estão o aumento de repasses para as
Secretarias de Saúde e a distribuição de insumos estratégicos como inseticidas
e kits para diagnósticos.
Segundo o Ministério da Saúde, em dezembro houve o
repasse adicional de R$ 150 milhões para as esferas estadual e municipal para
controle da dengue e do chikungunya.
saiba mais
Eduardo Carvalho*Do G1, em
São Paulo
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