sábado, 16 de abril de 2016

PLANILHA APONTA PARTE DE SUPOSTA PROPINA DE R$ 52 MILHÕES PARA CUNHA

Documento faz parte de delação de executivo da Carioca Engenharia.
Presidente da Câmara não se manifestou sobre investigações.
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Planilha que faz parte da delação premiada do executivo da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco Júnior, investigado na Operação Lava Jato, detalha como teria ocorrido o pagamento de parte da suposta propina de R$ 52 milhões ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A peça faz parte de inquérito autorizado contra Cunha pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Planilha de depósitos entregue pelo empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, aos investigadores, detalha depósitos que teriam sido propina para Eduardo Cunha (Foto: Reprodução)
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A planilha foi divulgada nesta sexta-feira (15) pelo jornal "Estado de S. Paulo" e faz parte da delação, revelada pela revista "Época" em dezembro.
Procurado, Eduardo Cunha disse que não vai se manifestar sobre o caso, que o assunto relativo à empresa Carioca é velho e que já se manifestou anteriormente.
A investigação da Procuradoria se baseia nas delações premiadas dos empresários da Carioca Engenharia Ricardo Pernambuco Júnior e do pai dele Ricardo Pernambuco. Segundo os delatores, o peemedebista recebia propina de a partir de recursos do FI-FGTS, um fundo destinado a empresas. A delação foi homologada pelo STF.
Este é o terceiro inquérito contra Cunha. A suspeita da PGR é que o parlamentar tenha solicitado e recebido propina do consórcio formado por Odebrecht, OAS e Carioca Christiani Nielsen Engenharia – que atuava na obra do Porto Maravilha – no montante de cerca de R$ 52 milhões.
Na planilha apresentada pela Carioca são detalhadas 22 transações que somam quase US$ 4,7 milhões. A primeira transferência de dinheiro teria sido feita no Israel Discount Bank no valor de US$ 220 mil.
Conforme os delatores, Cunha teria recebido propina no valor de 1,5% dos títulos comprados pelo FI-FGTS, paga em 36 parcelas. O documento entregue aos investigadores mostra depósitos feitos entre agosto de 2011 e setembro de 2014, que teriam sido propina a Cunha.
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Ainda segundo as investigações, Cunha era próximo do então vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que integrava o conselho curador do FGTS. O dinheiro do fundo seria utilizado para permitir as obras do porto.
Para Rodrigo Janot, as informações apresentadas pelos delatores são "robustas" e fundadas, além de depoimentos, em documentos bancários que comprovam transferências, extratos de contas na Suíça, emails e anotações.
Além de abrir o inquérito, o ministro Teori Zavascki também autorizou a coleta de provas.
Delação dos empresários da Carioca
Nos depoimentos feitos dentro da delação, os empresários citam encontros com Eduardo Cunha e transferências de conta de Ricardo Pernambuco, na Suíça, para contas indicadas pelo deputado, também na Suíça. Eles entregaram e-mail citando transferência de 181 mil francos suíços. Segundo a PGR, documentação bancária sobre o inquérito que veio da Suíça confirma o recebimento desse dinheiro.
Os encontros narrados teriam ocorrido na Câmara dos Deputados e no Rio de Janeiro, além de reuniões ocorridas no escritório da empresa em São Paulo.
Segundo Janot, os fatos apresentados pelos empresários comprovam ainda suspeitas presentes no principal inquérito da Lava Jato em andamento no Supremo, o que apura se existiu uma organização criminosa para fraudar a Petrobras e outros órgãos, como BR Distribuidora, Transpetro e Caixa Econômica Federal.
Atualmente, cerca de 40 pessoas são investigadas por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção.
"Considerando que Eduardo Cunha é suspeito de integrar o alto escalão da organização criminosa que atuou não apenas na Petrobras, mas também em diversos outros órgãos e entes públicos, torna-se imprescindível ao bom andamento da investigação envolvendo os fatos veiculados na presente colaboração que a apuração seja feita em conjunto com as demais peças desse grande quebra-cabeça criminoso denominado Operação Lava Jato," afirmou Janot.
Além disso, Janot pediu que a delação dos empresários seja juntada ao inquérito que apura se Cunha tinha contas na Suíça.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

BRASIL PODE SER PRÓXIMO ALVO DO ESTADO ISLÂMICO

O Brasil pode ser o próximo alvo do Estado Islâmico, segundo uma publicação feita no Twitter de Maxime Hauchard, 22 anos, em novembro de 2015. Nesta quarta-feira (13), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou que o perfil realmente pertence ao terrorista francês que aparece em vídeos do Estado Islâmico decapitando sírios. A informação foi publicada no portal IG.
"Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse País de merda”, diz a mensagem postada na rede social. A mensagem foi postada uma semana após os atentados coordenados na França, que deixaram 129 mortos e dezenas de feridos. A conta na rede social do terrorista já foi suspensa.
(Foto: reprodução/Twitter)
O diretor de Contraterrorismo da agência, Luiz Alberto Sallaberry, disse que o perfil foi monitorado e era de um dos maiores líderes do Estado Islâmico. A informação foi repassada na Feira Internacional de Segurança que está sendo realizada no Rio de Janeiro.
Segundo Sallaberry, no Brasil há um crescente nível de pessoas que dizem ter feito o juramento ao califado do Estado Islâmico, ou seja, concordantes com um grupo que deturpou os princípios da religião islâmica e utiliza a violência para expandir seu domínio territorial.
Para evitar possíveis ataques, a Abin intensificou cursos com setores de hotelaria, taxistas e outras pessoas para que elas possam identificar possíveis alvos terroristas em território nacional. Além disso, faz constante intercâmbio com forças estrangeiras e internas.
(Com informações do IG)
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IDEALIZADOR DA FICHA LIMPA DIZ QUE IMPEACHMENT NÃO DEVERIA SER COGITADO

Idealizador da Ficha Limpa diz que impeachment não deveria ser cogitado
Márlon Reis, juiz eleitoral no Maranhão, idealizador da lei da ficha limpa, em foto de 2012
MAURI KÖNIG
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
14/04/2016  02h04
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Idealizador da Lei da Ficha Limpa, que só nas eleições de 2014 impugnou 500 candidaturas no país, o juiz maranhense Márlon Reis considera incabível o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O magistrado argumenta que um pedido baseado em falhas administrativas, a despeito da sua gravidade, não justifica a perda do mandato.
Para o juiz, a melhor solução é o julgamento da chapa de Dilma e Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral, não importando o resultado.
À Folha, o magistrado diz ainda concordar com a atuação do juiz Sérgio Moro na condução da Operação Lava Jato e elogia o instrumento da delação premiada.
*
Folha - No atual cenário, cabe o impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Márlon Reis - Eu vejo dois graves problemas. Do ponto de vista constitucional, não há cabimento para o pedido, porque se baseia numa falha administrativa, que apesar de considerável, jamais poderia autorizar a destituição da titular do mais alto cargo da estrutura da República. Não há fundamentos para que possa ser sequer cogitado.
Na perspectiva política, há evidentemente a intenção de, através do impeachment, dar resposta à crise política retirando do poder apenas a presidente, quando na verdade a Presidência foi conquistada por um grupo político, uma chapa do PT e PMDB.
Não é possível acreditar que se resolverá o problema político cindindo uma relação que é unitária e indissolúvel.
As ações em andamento no TSE contra Dilma e Temer têm guarida jurídica?

O Brasil inaugurou um tempo em que a Justiça passou a ser cobrada em relação ao comportamento dos candidatos em campanha. Foi um trabalho histórico da sociedade.
São conquistas como o movimento contra a compra de votos no final da década de 90 e mais recentemente a Lei da Ficha Limpa. A sociedade reconhece e legitima os tribunais eleitorais, para que eles decidam sobre os temas relacionados à maneira como os candidatos se comportam nas campanhas eleitorais e que eventualmente desrespeitaram alguma norma.
Por isso, o TSE tem legitimidade para decidir com relação à candidatura da presidente, dos atos que a campanha dela possa ter praticado.
O TSE seria o caminho para um eventual impeachment?
Quando eu afirmo que o impeachment é incabível tanto constitucional quando politicamente, eu digo que o TSE deverá se pronunciar sobre as alegações graves que pairam sobre como a maneira como a chapa Dilma-Temer saiu vitoriosa. Elas são da mais alta gravidade, do possível uso de recursos indevidos na campanha. Se isso ocorreu, competirá ao TSE decidir. O que quero dizer é que o TSE tem toda a legitimidade institucional para tomar uma decisão, que deverá ser respeitada, qualquer que seja ela.
Como o senhor avalia as medidas do Ministério Público Federal de combate à corrupção?
Vi com muita simpatia. É possível questionar, ainda mais quando se apresenta um grande número de medidas, mas a iniciativa é excelente porque pauta o assunto das mudanças das normas sobre corrupção. O Brasil, quando toca nesse assunto, é incapaz de andar porque o Congresso não dá o menor respaldo para os projetos de lei em andamento sobre o tema. Então, o Ministério Público Federal acertou porque pode pautar o assunto.
O senhor vê no cenário atual efeitos da Lei da Ficha Limpa?
A lei tem efeitos na política atual, como o de barrar os casos mais grosseiros, escandalosos, de pessoas envolvidas com práticas ilícitas. A prova é que alguns candidatos que concorreram nas eleições passadas e foram barrados na Ficha Limpa já estão agora comprometidos em ações penais, alguns até foram presos.
Isso terá uma grande incidência nas eleições de 2016, porque a maior clientela da Lei da Ficha Limpa está entre os candidatos a prefeito.
Quantas candidaturas foram até hoje impugnadas pela lei?
Eu conduzi pesquisas até 2009. Até então, eram 675 cassados, cerca de 500 só entre prefeitos e vice, mais de uma centena de vereadores, foram cinco governadores, alguns senadores, deputados estaduais e federais.
O que o senhor pensa sobre a delação premiada?
É um instrumento moderno que tem permitido chegar a informações que jamais seriam alcançadas sem isso. Há muita falta de dados sobre ela, que por si só nada representa. O réu se dispõe a apresentar provas, expandindo a investigação, e ela só é válida se essas provas forem encontradas.
Há uma 'mitificação' do juiz Sérgio Moro?
A sociedade é sedenta por líderes. As pesquisas mostram que o maior problema percebido pelos brasileiros é a corrupção. Então aparece um juiz que toma decisões baseadas na sua convicção pessoal, e a demanda que ele preside gera essa vontade de identificá-lo como apto a solucionar a corrupção. Eu acredito que ele não buscou tamanha visibilidade. Ele tem feito o seu trabalho com muita prudência.
De forma geral, o que mais precisa ser aperfeiçoado para se combater a corrupção no Brasil?
Insisto na necessidade da reforma política. Nós não fizemos reforma política alguma. No passado, votou-se um arremedo mais uma vez, com mudanças até importantes, como a proibição de doações empresariais.
Também teremos mais instrumentos de transparência. Pela primeira vez teremos a fixação de limites para gastos de campanha. Precisamos mudar muito a maneira como votamos, especialmente na composição das casas parlamentares. Elas fulanizam o debate político, e isso pode ser mudado com o redesenho da estrutura das eleições brasileiras.
Quais seriam os três itens mais urgentes da reforma política?
Nós propomos que por exemplo que nas eleições parlamentares, o voto dado ao partido seja separado do voto dado ao candidato. Hoje o eleitor vê apenas o candidato, não sabe que bancada ele comporá, que ideias ele defenderá, sequer sabe se o seu candidato será de oposição ou de situação.
Se trata de uma proposta que defendemos de eleições parlamentares em dois turnos, aproveitando os dois turnos que já existem para o Executivo, em regra.
Votar primeiro no partido e compor uma bancada partidária, para só depois voltar às urnas e dizer qual candidato preencherá cada uma das vagas. Isso é uma medida simples e extremamente pedagógica.
Além disso, a necessidade de uma participação mais efetiva da mulher na política, que não se dá no modelo atual. A mulher precisa ser integrada no Parlamento não por uma questão de favor ou de benemerência, mas porque se trata de uma parcela da população que está gravemente subrepresentada.
O terceiro item é uma redução ainda mais drástica e um aumento da transparência nas contas das campanhas. Elas precisam ser baratas, a eleição não pode ser uma disputa financeira. 

Sergio Lima - 6.set.2012/Folhapress

PAI E FILHO SÃO PRESOS COM 112 QUILOS DE COCAÍNA EM CAMINHÃO EM MS

Prisões foram na noite dessa quarta-feira, na BR-262, em Corumbá.
Homem de 45 anos dirigia caminhão e filho fazia serviço de batedor.
Tabletes de cocaína apreendidos em caminhão (Foto: Divulgação/ DOF)
Pai e filho foram presos na noite dessa quarta-feira (14), na BR-262, em Corumbá, a 415 quilômetros de Campo Grande, com 112 quilos de cocaína. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (15) pelo Departamento de Operações da Fronteira (DOF), ambos confessaram o tráfico de drogas.

De acordo com o DOF, homem de 45 anos dirigia um caminhão com placas de São Gabriel do Oeste que foi abordado por policiais no posto Lampião Aceso. A droga estava escondida em fundo falso do tanque de combustível.
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O motorista, que mora na capital sul-mato-grossense, disse aos policiais que deixou o caminhão em um posto de combustíveis de Corumbá, outra pessoa pegou, escondeu o entorpecente e devolveu o veículo.
Ele disse que entregaria os 106 tabletes da droga em um posto de combustíveis, em Campo Grande.
O filho do motorista, de 23 anos, estava em outro veículo, uma caminhonete, e atuava como batedor. Ele foi abordado após o pai, na mesma rodovia, e, pelos registros telefônicos, foi constatado que os dois viajavam juntos.
Eles foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e afirmaram à polícia que receberiam dinheiro pelo transporte da cocaína.
Tabletes estavam escondidos em fundo falso de tanque de combustível (Foto: Divulgação/ DOF)
 Do G1 MS
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terça-feira, 12 de abril de 2016

VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NO PLENÁRIO DA CÂMARA COMEÇARÁ ÀS 14H DE DOMINGO

BRASÍLIA — A sessão de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados começará no próximo domingo às 14h, segundo cronograma definido em reunião dos líderes partidários com o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). As discussões do processo de afastamento terão início às 8h55 da sexta-feira (15). A informação foi passada pelos deputados Bruno Araújo (PSDB-PE) e Pauderney Avelino (DEM-AM), líder do partido. Os dois participaram da reunião com Cunha.
Na sexta-feira, tanto os autores do pedido de impeachment quanto a defesa da presidente Dilma terão 25 minutos para falar. No mesmo dia, cada um dos 25 partidos políticos com representação na Câmara terá o direito de falar por uma hora. Os líderes indicarão até cinco deputados para discursar.
Todos os deputados também terão direito de se inscreverem, entre às 9h e 11h de sexta, para discursarem no sábado (16), quando a sessão para discursos dos parlamentares inscritos começará às 11h. Cada deputado terá 3 minutos para falar. Os líderes também poderão discursar em todas as sessões - o tempo é proporcional ao tamanho das bancadas e varia de 3 a 10 minutos.
A sessão no domingo terá início às 14h, com a orientação das lideranças das legendas. Em seguida, os deputados serão chamados um a um para dizer o voto. O presidente da Câmara ainda não informou qual será a ordem de chamada dos parlamentares. Semana passada, chegou a ser divulgada uma lista na qual os parlamentares do Nordeste seriam chamadas por último. Para deputados governistas, a ordem deve ser alfabética, como foi na votação do impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

— Não haverá possibilidade mais dos líderes e questões de ordem iniciada a votação. Há um entediamento de que cada deputado utilize 10 segundos para o seu voto — disse o deputado Bruno Araújo.

VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NO PLENÁRIO DA CÂMARA COMEÇARÁ ÀS 14H DE DOMI



MORO CONFISCA R$ 5,35 MI DE GIM E MAIS QUATRO ALVOS DA VITÓRIA DE PIRRO

A Justiça Federal decretou o bloqueio de R$ 5,35 milhões do ex-senador Gim Argello (ex-PTB/DF) e de outros cinco alvos da Operação Vitória de Pirro, 28.ª etapa da Lava Jato deflagrada nesta terça-feira, 12. O valor corresponde à propina que Argello teria tomado em 2014 das empreiteiras UTC Engenharia e OAS para livra-las da CPMI da Petrobrás no Congresso - R$ 5 milhões foram repassados para quatro partidos da Coligação União e Força e R$ 350 mil foram parar em conta da paróquia São Pedro, de Taguatinga, frequentada pelo político.
De acordo com a força-tarefa, o pagamento a paróquia é associado ao codinome "Alcoólico". Os investigadores identificaram "Alcoólico" como sendo Gim Argello, num trocadilho com a bebida "Gim".
"Viável o decreto do bloqueio dos ativos financeiros dos investigados em relação aos quais há prova de recebimento de propina. Não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos.Considerando os valores da propina paga, resolvo decretar o bloqueio das contas dos investigados até o montante de cinco milhões e trezentos e cinquenta mil reais", assinalou o juiz federal Sérgio Moro.
A medida alcança ativos em contas e investimentos de Gim Argello, seu operador financeiro Paulo César Roxo Ramos e de três pessoas jurídicas - Argelo & Argelo Ltda., Garantia Imóveis Ltda. e Solo Investimentos e Participações Ltda.
Moro anotou que a medida cautelar apenas gera o bloqueio do saldo do dia constante nas contas ou nos investimentos, 'não impedindo, portanto, continuidade das atividades das empresas ou entidades, considerando aquelas que eventualmente exerçam atividade econômica real'. Ele destacou que em relação às pessoas físicas, caso haja bloqueio de valores atinentes a salários, promoverá, mediante requerimento, a liberação.
No mesmo despacho, o juiz da Lava Jato já se adiantou e cravou que a competência para mais essa etapa da investigação é mesmo da Justiça Federal em Curitiba - base de toda a operação. "A investigação, na assim denominada Operação Lava Jato, abrange crimes de corrupção e lavagem de dinheiro transnacional, com pagamento de propinas a agentes da Petrobrás em contas no exterior e a utilização de expedientes de ocultação e dissimulação no exterior para acobertar o produto desse crime. Embora a Petrobrás seja sociedade de economia mista, a corrupção e a lavagem, com depósitos no exterior, têm caráter transnacional, ou seja iniciaram-se no Brasil e consumaram-se no exterior, o que atrai a competência da Justiça Federal. O Brasil assumiu o compromisso de prevenir ou reprimir os crimes de corrupção e de lavagem transnacional, conforme Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção de 2003 e que foi promulgada no Brasil pelo Decreto 5.687/2006. Havendo previsão em tratado e sendo os crimes transnacionais, incide o artigo 109, V, da Constituição Federal, que estabelece o foro federal como competente."
O magistrado observou que 'no presente caso, a toda obviedade, o crime teria sido praticado por Gim Argello, então na condição de senador, utilizando os poderes inerentes a sua condição de integrante das comissões parlamentares de inquérito, o que por si só atrai a competência da Justiça Federal, considerando a natureza federal do cargo e das instituições, bem como a superveniente perda do foro privilegiado'.
Sérgio Moro ressaltou que as informações que deram origem à Vitória de Pirro foram compartilhadas pelo Supremo Tribunal Federal com a Justiça Federal.

Ele se reporta aos dados contidos nas delações premiadas do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, e Walmir Pinheiro Santana, diretor da empreiteira. Ambos revelaram os pagamentos de propinas para o ex-senador. "Oportuno ainda lembrar que foi o Supremo Tribunal Federal quem enviou a este Juízo cópia dos depoimentos de Ricardo Ribeiro Pessoa e de Walmir Pinheiro Santana, com o relato acerca da propina paga a Gim Argello, para a continuidade das investigações e do processo."

ÁUDIO DÁ MUNIÇÃO CONTRA TEMER

A poucos dias da votação do impeachment de Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados, o áudio vazado nesta segunda-feira (11/04) em que o vice-presidente Michel Temer discursa como se a destituição da presidente estivesse sacramentada causou perplexidade no governo federal e recebeu críticas até mesmo da oposição.
Para analistas ouvidos pela DW, Temer mostrou mais uma vez um claro distanciamento com Dilma e, caso não tenha sido enviado por acidente, o áudio poderá se tornar um erro estratégico caso a presidente não perca a votação deste domingo. O vazamento da gravação, além disso, pode ter sido uma tentativa de influenciar o voto dos deputados federais indecisos.
© Fornecido por Deutsche Welle O vice-presidente Michel Temer: gravação pode ter sido tentativa de influenciar o voto dos deputados
Para o professor de política Humberto Dantas, do Insper, a postura de Temer parece condizente com uma atitude de conspiração e de quem está, ao contrário do que ele mesmo diz, construindo planos e seu próprio governo.
"O discurso mostra um vice já preocupado em assumir o poder, bem diferente daquele que nos jornais declara que é hora de união", destaca. "Mesmo que Dilma sofra impeachment, ele não ganhará nada com a gravação."
O cientista político Leonardo Neves, do Ibmec/RJ, diz que Temer não pede explicitamente votos a favor do impeachment, mas indica que já espera isso como certo. "Ele parece estar falando com os que estão em dúvida. Ao se apresentar como presidente, ele está adicionando um elemento no cálculo dos deputados que só vão se decidir na última hora."
Para Paulo Sotero, diretor do Instituto Brasil do Wilson Center, em Washington, as consequências podem ser negativas porque a presidente tem a oportunidade de reforçar a tese de que tudo isso é um grande trama para tirá-la do poder – como o fez nesta terça-feira (12/04), ao acusar Temer de traição, conspiração e golpe.
"Se foi uma estratégia enviar o áudio e Dilma continuar no poder, isso terá sido um erro crasso. Mas não é esse vazamento que vai determinar a votação no domingo", opina.
Na gravação, o peemedebista afirma que decidiu falar após uma "votação significativa" determinar o prosseguimento do processo contra Dilma e que estava recolhido para não "aparentar que estaria praticando algum gesto com vistas a ocupar o lugar" da presidente. Além disso, ele diz que "precisa estar preparado para enfrentar os graves problemas que hoje afligem o país".
Críticas até da oposição
O gabinete de Temer confirmou a veracidade da gravação de quase 14 minutos e disse que ele enviou o áudio "por acidente" aos correligionários. "Trata-se de um exercício que o vice-presidente estava fazendo em seu celular e que foi enviado acidentalmente para a bancada", afirmou em nota.
A reação dos aliados de Dilma foi imediata. O ministro-chefe do gabinete pessoal de Dilma, Jacques Wagner, afirmou que o vice deveria renunciar ao seu cargo após a votação do impeachment na Câmara e a eventual permanência de Dilma no poder para ser coerente com a "atitude golpista".
Ele declarou, ainda, que Dilma "ouviu e ficou perplexa". "[A gravação de Temer] rasga uma fantasia de patrocinador e maior beneficiário neste golpe."
Até mesmo líderes da oposição criticaram a ação do vice-presidente. O líder da minoria no Congresso, Mendonça Filho (DEM-PE), disse que a gravação foi um "equívoco".
"Não sou a favor de antecipar etapas, e o vice-presidente, um homem experiente na política, certamente sabe disso. Com certeza a gravação fazia parte de um exercício e hipótese", afirmou.
Histórico de fogo amigo
Não é a primeira vez que Temer entra numa saia-justa com Dilma Rousseff. No último episódio, em dezembro, o vice acirrou a crise política ao enviar uma carta à presidente afirmando que era tratado como figura "decorativa" por Dilma, apesar de, segundo ele, ter se mantido leal ao governo.
Em agosto, quatro meses depois de ser escolhido como novo articulador político do governo, Temer anunciou que deixaria a função. No início do mesmo mês, o vice-presidente afirmou, após se reunir com líderes da base aliada, que o Brasil precisava de "alguém que tenha a capacidade de reunificar a todos".
Em fevereiro do ano passado, o PMDB e o PT tiveram posições contrárias no apoio aos candidatos à presidência da Câmara dos Deputados. Na época, Temer e sua legenda defenderam a candidatura vencedora de Eduardo Cunha, que não era considerado um aliado confiável pelo governo.

Autor: Fernando Caulyt