Ainda nesta
segunda-feira (30), circulava na região a informação de que os indígenas
queriam sacrificar as crianças, e que teriam tentado invadir o hospital em que
estavam internados para sequestrar e matar as crianças.
A Funai,
entretanto, desmentiu as afirmações. “Essas informações foram compartilhadas de
forma anônima, caluniosa e criminosa, afirmando equívocos sobre a família, os
bebês e o povo Arawete”, afirmou Gilson Curuaia, coordenador regional do órgão
em Altamira.
“A Funai está
acompanhando o caso e providenciando os devidos ecaminhamentos, mas, por hora,
não há ainda uma decisão concreta. Mas queremos tomar as melhores medidas para
preservar as crianças e a população da etinia”, completou o coordenador.
ADOÇÃO
Segundo o
coordenador da Associação Indígena Kuruaya, Cláudio Kuruaya, ainda não há uma
decisão final sobre o destino das crianças, mas normalmente nos casos em que os
bebês são rejeitados pela tribo, a adoção é o procedimento usual.
“Houve um caso
recente em que uma criança de uma tribo foi doada para uma família após ser
rejeitada pela mãe, porque aprendeu a falar português”, informou Kuruaya. De
acordo com o coordenador, os órgãos indígenas devem acionar o Ministério
Público ainda hoje para iniciar o trâmite da adoção.
A presidente afastada Dilma Rousseff
deve entregar, nesta quarta-feira (1), vinte dias após a abertura do processo
de impeachment pelo Senado, a sua defesa das acusações de que cometeu crime de
responsabilidade ao praticar as chamadas “pedaladas fiscais” e ao editar seis
decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso.
Segundo informações do G1, Dilma deve
alegar que os atos não configuram crime de responsabilidade e que o processo de
impeachment tem “vícios de origem”, já que foi aberto pelo presidente afastado
da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por motivo de vingança.
De acordo com a publicação, a
comissão do impeachment se reúne na quinta-feira (2) para debater o cronograma
de atividades do colegiado nesta etapa do processo, em que os integrantes da
comissão decidem se a denúncia contra Dilma é ou não procedente e se deve ou
não ser levada a julgamento final.
Senadores a favor do impeachment
querem agilizar as atividades e concluir esta segunda fase em julho.
Parlamentares que apoiam Dilma, no entanto, consideram curto o prazo de
trabalho desta etapa da comissão.
Após a divulgação de gravações de
conversas do ex-presidente da Transpetro e delator daLava Jato Sérgio Machado com o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o
Ministério Público Federal (MPF) estuda pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF)
oafastamento do senador, de acordo com o jornal Valor Econômico.
Os diálogos revelam suposta tentativa
de interferir nas investigações. Integrantes da força-tarefa da Lava Jato
entendem que Renan estaria usando o cargo para obstruir a Justiça,
de acordo com a reportagem. E por isso estudam a elaboração de uma ação
cautelar para que ele deixe de presidir o Congresso.
Além dos áudios, outro elemento que
poderá servir de base para o pedido é o relato do filho de Machado, o
empresário Expedito Machado Neto, segundo o Valor.
Ele também fechou um acordo de
delação premiada com informações sobre contas e offshores mantidas no exterior
com ligação com o PMDB, de acordo com ojornal O Estado de São Paulo.
Expedito é apontado como operador financeiro da cúpula do partido no
Senado.
Em conversa com Machado, Renan dá
demonstrações de estar preocupado em minimizar a efetividade da colaboração
premiada ao comentar a possibilidade de afastamento do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"Antes de passar a borracha,
precisa fazer três coisas, que alguns do Supremo (têm de) fazer. Primeiro, não
pode fazer delação premiada preso. Primeira coisa. Porque aí você regulamenta a
delação e estabelece isso", afirmou o senador, de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.
Renan é investigado em nove
inquéritos sobre corrupção na Petrobras e em um da Operação Zelotes, sobre
compra de medidas provisórias. Ele responde ainda a dois outros inquéritos por
irregularidades no pagamento de pensão alimentícia.
A assessoria do peemedebista não
respondeu ao Valor.
SENADOR JOSÉ SARNEY
(PMDB-AP) DURANTE SESSÃO ESPECIAL EM COMEMORAÇÃO AOS 70 ANOS DE CRIAÇÃO DO
TERRITÓRIO FEDERAL DO AMAPÁ - (21/05/2014)
Em
conversas gravadas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o
ex-presidente José Sarney (PMDB) disse que a delação premiada que a Odebrecht e
seus executivos estão prestes a fechar no âmbito da Operação Lava Jato
"vem com uma metralhadora de ponto 100". O conteúdo dos áudios foi
divulgado nesta quarta-feira pelo site do jornalFolha de S. Paulo.
Assim comoRenan Calheiros(PMDB-AL) eRomero Jucá(PMDB-RR), Sarney foi um dos três
caciques peemedebistas gravados em diálogos com Machado, que entregou os áudios
à Procuradoria-Geral da República em seu acordo de delação premiada,homologadohoje pelo relator da Operação Lava
Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki.
Relacionando as possíveis revelações da
empreiteira à presidente afastada Dilma Rousseff, Sarney afirmou que
"nesse caso, ao que eu sei, o único em que ela (Dilma) está envolvida
diretamente é que ela falou com o pessoal da Odebrecht para dar para campanha
do... E responsabilizar aquele [inaudível]". Ele não mencionou em qual
campanha teriam ocorrido as irregularidades envolvendo a petista.
Além de Sarney, Renan Calheiros também
falou sobre o potencial de destruição das possíveis revelações da empreiteira.
Ao comentar a situação de Dilma, Machado disse a ele que a Odebrecht "vai
tacar tiro no peito dela, não tem mais jeito". E Renan responde: "Tem
não, porque vai mostrar as contas", em uma possível referência às contas
de campanha da petista.
A respeito da Lava Jato, Sarney afirmou
que governos petistas são os responsáveis pelo esquema de corrupção na
Petrobras. "Esse negócio da Petrobras, só os empresários que vão pagar, os
políticos? E o governo que fez isso tudo, hein?", questionou o
ex-presidente.
Após Machado citar que "não houve
nenhuma solidariedade" de Dilma a Lula, provavelmente em referência às
investigações da Lava Jato que avançam sobre o petista, José Sarney concordou,
e aproveitou para criticar o juiz federal Sergio Moro, que conduz os processos
da operação em Curitiba: "Nenhuma, nenhuma. E com esse Moro perseguindo
por besteira".
Em outro trecho da conversa gravada,
Sarney diz a Machado quepoderia ajudá-loa evitar que as investigações contra
ele no petrolão fossem remetidas à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde despacha
Moro. "O tempo é a seu favor. Aquele negócio que você disse ontem é muito
procedente. Não deixar você voltar para lá [Curitiba]", prometeu o
ex-presidente.
Diante de relatos de Machado de que
havia "insinuações", provavelmente do Ministério Público Federal, por
uma delação premiada, José Sarney se mostrou preocupado com a possibilidade e
disse a ele que "nós temos é que conseguir isso [o pleito de Machado]. Sem
meter advogado no meio".
Confira
abaixo os principais trechos da conversa entre Renan e Machado:
Michel
Temer -Ao
ouvir de Sérgio Machado que os partidos de oposição ao governo petista
"achavam que iam botar tudo mundo de bandeja..." José Sarney disse
que os opositores resistiam a apoiar o governo de Michel Temer. Segundo o
ex-presidente, "nem Michel eles queriam, eles querem, a oposição. Aceitam
o parlamentarismo. Nem Michel eles queriam. Depois de uma conversa do Renan
muito longa com eles, eles admitiram, diante de certas condições".
Lula
-Após
Machado dizer "acabou o Lula, presidente", José Sarney concordou e afirmou
que "o Lula acabou, o Lula, coitado, deve estar numa depressão". Em
outro trecho do diálogo gravado pelo ex-presidente da Transpetro, o
peemedebista relata que "soube que o Lula disse, outro dia, ele tem
chorado muito. [...] Ele está com os olhos inchados".
PSDB
-Assim
como nos diálogos gravados com Renan Calheiros e Romero Jucá, Sérgio Machado
mencionou o PSDB. Ele disse que os tucanos "sabem que são a próxima bola
da vez" ao que Sarney acrescentou: "Eles sabem que eles não vão se
safar". O partido informou nesta quarta-feira que irá processar Machado
por menções ao presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG).
Delcídio
-Depois
de Sérgio Machado dizer que o Supremo Tribunal Federal "rasgou a
Constituição", José Sarney lembrou o caso do ex-senador Delcídio do
Amaral, preso em novembro de 2015 e cuja prisão foi ratificada pelo plenário do
Senado. "Foi. [O STF] fez aquele negócio com o Delcídio. E pior foi o
Senado se acovardar de uma maneira...", criticou o ex-presidente. "Aquilo
é uma página negra do Senado", concluiu o ex-presidente
O ex-ministro da Transparência,
Fabiano Silveiro, recentemente apeado do cargo, ainda pode causar problemas ao
presidente interino Michel Temer.
Nesta terça-feira (31), o Conselho
Nacional de Justiça abre investigação prévia para apurar se ele usou o cargo de
conselheiro do órgão para favorecer interesses privados, segundo informações da
Folha de S.Paulo.
De acordo com a corregedora Nancy
Andrighi, há indícios de crimes nas conversas em que ele orienta Renan
Calheiros sobre a Lava
É de apenas 30 mil reais o capital social da Jijoclin Clínica Médica, a
empresa que fechoucontrato de mais de 1 milhão de reaiscom a Prefeitura de Rurópolis, gestão do prefeito Pablo Genuíno,do PSDB.
A clínica ganhou a licitação por inexigibilidade, ou seja, porque em
tese só existe uma empresa no país desse tipo que atende às necessidades do
município.
Movimentos sociais de esquerda
esperam reunir 100 mil pessoas na Paulista [em SP] em ato agendado para o dia
10 de junho. As bandeiras serão: “Fora Temer”, “Não ao golpe” e “Nenhum direito
a menos”.
As frentes Brasil Popular e Povo Sem
Medo pretendem organizar manifestações também nas demais capitais. Dilma
Rousseff e Lula serão convidados.
Segundo o presidente da legenda, Carlos Lupi, a suspensão dos processos
ocorre porque votaram somente a favor da admissibilidade do processo, e não, ao
menos por enquanto, pela saída definitiva de Dilma.“Vamos aguardar a votação do
mérito”, diz Lupi.
Ainda de acordo com ele, Gurgacz se comprometeu a votar contra o
impeachment de Dilma.
Parte da população está
empenhada pela cassação de Eduardo Cunha, ainda que não haja aparente empenho
dos parlamentares em dar andamento ao processo — fala-se até em “anistia” ao
presidente da Casa.
Mais de
1,2 milhão de pessoas já assinaram uma petição no Avaaz para a cassação do
mandato de Cunha. O objetivo é conseguir 2 milhões de assinaturas e entregá-las
ao Conselho de Ética da Câmara.
"Nesse
dia de glória para o povo brasileiro tem um nome que entrará para a história
nessa data, pela forma como conduziu os trabalhos nessa casa. Parabéns,
presidente Eduardo Cunha. Perderam em 1964. Perderam agora em 2016. Pela
família e pela inocência das crianças em sala de aula que o PT nunca teve,
contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela
memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff,
pelo Exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas, por um Brasil acima de
tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim."
Foi
assim que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) justificou o voto a favor do
impeachment da presidente Dilma Rousseff no plenário da Câmara dos Deputados no
último domingo. As declarações geraram polêmica, especialmente pela referência
ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (Destacamento
de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão de
repressão da ditadura. Ustra morreu aos 83 anos em setembro do ano passado.
A
homenagem a um dos personagens mais controversos do regime militar foi alvo de
críticas de milhares de brasileiros, que foram às redes sociais expressar
choque e reprovação. Para um deles, no entanto, o elogio de Bolsonaro evocou
memórias ruins.
Em
1972, Gilberto Natalini, hoje médico e vereador pelo PV-SP, tinha então 19 anos
e foi torturado por Ustra. À época estudante de medicina, ele havia sido preso
por agentes da ditadura que queriam informações sobre o paradeiro de uma amiga
dele, envolvida na luta armada. Natalini negou-se a colaborar. A tortura
consistia em choques elétricos diários, que, segundo ele, lhe causaram
problemas auditivos irreversíveis.
"Bolsonaro
não tem o direito de reverenciar a memória de Ustra. Ustra era um assassino, um
monstro, que torturou a mim e a muitos outros", afirmou Natalini à BBC
Brasil.
Natalini
conta ter sido vítima de tortura por cerca de dois meses na sede do DOI-Codi em
São Paulo.
"Tiraram
a minha roupa e me obrigaram a subir em duas latas. Conectaram fios ao meu
corpo e me jogaram água com sal. Enquanto me dava choques, Ustra me batia com
um cipó e gritava me pedindo informações", relembra.
"A
tortura comprometeu minha audição. Mas as marcas que ela deixou não são só
físicas, mas também psicológicas."
Natalini
nega ter participado da luta armada contra a ditadura militar. Ele confirma ter
feito oposição ao regime, mas diz que "sem violência".
"Sempre
fui a favor da mobilização das consciências contra qualquer tirania. Nunca fui
a favor de ações violentas. Acolhíamos perseguidos políticos, prestando
atendimento médico quando necessário", diz ele, em alusão à Escola
Paulista de Medicina (EPM), onde estudava.
"Mas
todo mundo que se opunha ao governo militar era visto como terrorista",
ressalva.
Image captionPara Natalini,
projeção evido "aos escândalos de corrupção protagonizados pelo PT"
Para Natalini, que foi preso "outras 16 vezes" pelo
regime militar, Bolsonaro "não pode, como agente político, pregar o
retorno da ditadura".
"E
se ele o fizer, temos todo o direito de contestá-lo e colocá-lo em seu devido
lugar. Bolsonaro não vai conseguir impingir ao Brasil sua ideologia doente,
ultrapassada e fascista. O caso dele é com a Justiça", afirma ele.
Na
visão de Natalini, a projeção nacional do deputado está ligada à desmoralização
das esquerdas, devido "aos escândalos de corrupção protagonizados pelo
PT".
"Os
erros do PT permitiram que se criasse uma corrente de opinião contra à
verdadeira esquerda, que nunca existiu no Brasil. A extrema direita, que estava
adormecida, aproveitou-se desse vácuo. Bolsonaro é fruto dessa
roubalheira", opina.
"Se
nossa democracia tem defeitos, precisamos corrigi-la. Muito piores são os
regimes militares, de esquerda ou de direita", acrescenta.
Apesar
de criticar Bolsonaro, Natalini defende o impeachment da presidente Dilma
Rousseff. Segundo ele, não há "golpe".
"A
Constituição brasileira prevê que o presidente pode sofrer impeachment se tiver
cometido crimes de responsabilidade. Foi o que aconteceu com as chamadas
pedaladas fiscais", diz.
Image captionUstra era um
dos mais temidos militares nos anos de chumbo
Um dos mais temidos militares nos anos de chumbo, Ustra chefiou
o DOI-Codi, órgão de repressão do 2º Exército em São Paulo. Ele foi apontado
por dezenas de perseguidos políticos e familiares das vítimas como responsável
por perseguição, tortura e morte de opositores.
Conhecido
pelo apelido de "Doutor Tibiriçá", ele foi acusado pelo
desaparecimento e morte de pelo menos 60 pessoas. Durante sua gestão, pelo
menos 500 casos de tortura teriam sido cometidos nas dependências do DOI-Codi.
Único
militar brasileiro declarado torturador pela Justiça, Ustra foi denunciado pelo
MPF (Ministério Público Federal) pela morte do militante comunista Carlos
Nicolau Danielli em dezembro de 1972. Mas não houve tempo para sua condenação.
Ustra morreu em setembro do ano passado em Brasília. Ele sofria de câncer de
próstata.